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A Páscoa é uma das celebrações mais importantes para muitos povos e no caso da Itália, com sua cultura profundamente ligada ao Catolicismo, não poderia ser diferente. Aqui, durante a Semana Santa, acontecem uma série de ritos e tradições que existem há séculos e que certamente podem enriquecer ainda mais a sua viagem.

Assim, se você for passar a Semana Santa na Itália, aqui vão algumas dicas do que fazer em diferentes regiões, de uma ponta à outra do país.

 

As principais celebrações da Semana Santa na Itália

Páscoa em Florença: a Cerimônia da “Explosão do Carro”

No Domingo de Páscoa, em Florença, acontece a  “Cerimonia dello Scoppio del Carro” e trata-se de um evento folclórico que remonta ao século XI. O carro, chamado “Brindellone”, é puxado por bois enfeitados com flores e levado em procissão, junto com o Fogo Sagrado, até a Piazza Duomo. Um fio de cobre é estendido entre o carro e ao altar maior, e quando a cerimônia religiosa chega ao fim, é aceso o estopim que provoca a explosão do carro repleto de fogos de artifício.

Semana Santa na Itália: Florença, Toscana

A Explosão do Carro. Foto: lanazione.it

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Em Roma: a Via-Crucis no Coliseu

Todos os anos milhares de fiéis assistem a uma das Vias Crucis mais incríveis do mundo, que acontece na noite da Sexta-Feira da Paixão.

A cruz é carregada pelos 14 passos da Via-Crucis por famílias italianas, refugiados, doentes. A cerimônia inicia por volta das 21h do dia 30/03/2018 e é transmitida pelo site do Vaticano. No final da Via-Crucis, o papa fala aos fiéis e dá a Benção Apostólica.

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Na Úmbria: as tradições de Assis

Talvez a principal celebração que acontece em Assis é a chamada Scavigliazione, ou seja, a retirada do corpo de Cristo morto da cruz. Ela acontece na noite da Quinta-Feira Santa, na Catedral de San Ruffino e remonta ao século XIII. Na manhã da Sexta-Feira Santa, acontece a procissão do Cristo Morto, quando o corpo é transferido da Catedral de San Ruffino à Basílica de São Francisco.  À noite, o corpo de Cristo encontra a Mãe Adolorada, percorrendo em uma outra procissão as ruas de Assis.

Assis 12

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Abruzzo: Sexta-Feira Santa em Chieti

Na Sexta-Feira da Paixão, em Chieti, também acontece a procissão do Cristo Morto, considerada a mais antiga da Itália, uma vez que remonta ao ano 842. Dela participam centenas de figurantes e 13 congregações e é uma procissão tão grande, que também conta com 150 cantores e tantos outros músicos que vão acompanhando a procissão dos encapuçados.

Semana Santa na Itália: Chieti

Foto: Pino Gianni (paesaggidabruzzo.com)

 

Campânia: a Sexta-Feira Santa em Sorrento

As duas procissões da Sexta-Feira Santa em Sorrento são famosas no mundo inteiro e se aproximam muito àquelas de Sevilha, tanto pela solenidade quanto pela capacidade de envolvimento emotivo que suscitam. As procissões nasceram no século XVI como rituais de penitência que comportavam também a autoflagelação, mas com o tempo acabaram se desenvolvendo e se enriquecendo, sobretudo no que diz respeito ao aspecto coreográfico.

A chamada Procissão Branca, percorre as ruas do centro histórico de Sorrento das  3 às 6h da manhã da Sexta-Feira Santa e representa, segundo a tradição popular, a peregrinação da Virgem Maria em busca do filho, traído, preso e condenado à morte.

Semana Santa na Itália: Sorrento

A procissão “Branca”. Foto: WikiCommons

Já no fim da noite da Sexta, acontece a procissão “Negra”, que nada mais é que o transporte do Cristo Morto, em silêncio e no escuro. Uma emoção única que exalta os mais autênticos valores de fé e as antigas tradições passadas de geração em geração.

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Puglia: a Semana Santa em Taranto

É inesquecível e profunda a celebração da Quinta e da Sexta-Feira Santas em Taranto, com suas três procissões muito, muito lentas.

A primeira procissão é chamada Processione dei Perdùne, como eram chamados os peregrinos que iam a  Roma em ocasião do Jubileu: a cabeça coberta com um longo capuz branco e um chapéu preto, desfilando descalços da tarde da Quinta-Feira Santa até a madrugada. Depois dela, parte a segunda procissão, aberta por uma pessoa tocando a troccola, uma tábua de madeira com dentes de ferro. Para vocês terem uma ideia, a procissão é tão lenta que percorrem 4km em mais de 10 horas. Por fim, na tarde da Sexta-Feira Santa, acontece a procissão dos Mistérios, com estátuas e o andor do Cristo Morto. A procissão dos Mistérios dura até a madrugada do Sábado. No total, são mais de 40 horas de procissão, uma após a outra.

Semana Santa na Itália: Taranto, Puglia

Foto: WikiCommons

 

Sardenha: a Semana Santa de Alghero

A história da Semana Santa de Alghero é muito antiga, nascida no século XVII, quando Alghero era ainda uma colônia espanhola e quando, justamente naqueles anos, o mar “trouxe” para a cidade a estátua do Cristo de Alicante (o Santcristus). Considerado um presente de Deus vindo do mar, o Santcristus tornou-se um objeto de adoração popular e elemento principal dos rituais da Semana Santa. A chamada Setmana Santa de l’Alguer (assim mesmo, em catalão) mantém ainda forte as tradições da Catalunha: os fiéis percorrem as ruas da cidade junto com os participantes das confrarias (inclusive algumas provenientes da Espanha), alternando momentos de silêncio e de sons das orações realizadas também em catalão.

Semana Santa na Itália: Alghero

O Santcristus carregado por uma das confrarias. Foto: Comune di Alghero

Veja AQUI a programação da Semana Santa de Alghero.

 

Na Sicília: A procissão do Santo Véu em Piana degli Albanesi

A particularidade da Semana Santa em Piana degli Albanesi, cidade nos arredores de Palermo, é que as celebrações acontecem segundo os rituais bizantinos. Mesmo tendo passado mais de quinhentos anos da chegada dos albaneses na Sicília fugindo das perseguições dos turcos, os habitantes de Piana degli Albanesi mantêm ainda a língua e os antigos hábitos de sua terra natal.

Semana Santa na Itália: Piana degli Albanesi, Sicília

Foto de Daniele Aiavolasit

Da procissão participam a maior parte das moças da cidade, vestidas com os costumes típicos. Outra tradição é a distribuição de ovos pintados de vermelho e feita por grupos de mulheres também vestidas com as roupas típicas do século XV. Depois da celebração religiosa acontece a Procissão do Santo Véu, uma espécie de Sudário onde se entrevê o rosto de Jesus.

 

 

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Patrícia Kalil
Patricia Kalil, graduada em administração de empresas, mora na Sicília desde 2007 e é autora do blog Descobrindo a Sicília. Ela deixou o calor e as festas de Salvador para abraçar as belezas de outro lugar tão acolhedor quanto a Bahia e mergulhou na cultura e na história milenar da Sicília. Apaixonada desde sempre por viagens e pela língua e cultura italiana, acabou unindo o útil ao agradável e decidiu espalhar aos quatro ventos que a Sicília merece ser vista.
 

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