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Sabia que além de sítios arqueológicos, vilas históricas e fazer outros passeios clássicos, também é possível visitar um lindo castelo perto de Roma?

Normalmente quando viajamos para Roma pela primeira vez, esperamos visitar uma infinidade de ruínas romanas, ouvir inúmeras histórias de gladiadores e imperadores, conhecer maravilhas como a Capela Sistina, a Praça de São Pedro e a Fonte de Trevi. Mas e um castelo? Nunca associamos um castelo a Roma!

Pois é, o que muita gente não sabe é que a pouco menos de 1h de Roma fica o Castelo de Santa Severa. Sei que com tanta coisa para ver em Roma, é difícil procurar algo fora da cidade para conhecer, mas a história deste castelo é muito interessante e, por isso, Santa Severa pode entrar no seu roteiro, principalmente se você decide viajar para conhecer outras cidades da região Lazio.

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Castelo de Santa Severa, perto de Roma.

O Castelo de Santa Severa

O Castelo de Santa Severa é um lugar extraordinário, um tesouro cheio de história que afunda suas raízas lá na época romana. De fato, o castelo foi construído na área da antiga Pyrgi, que era a cidade portuária romana fundada entre o final do século VII e o início do século VI a.C. Tanto o Castelo de Santa Severa quanto o sítio arqueológico de Pyrgi são considerados algumas das áreas históricas e arqueológicas mais importantes ao longo da costa do mar Tirreno.

O castelo foi iniciado no século IX, quando os Condes da Tuscia decidiram construir uma fortaleza nesta área dedicada à jovem Severa, que havia sido martirizada no ano 660 em um lugar próximo de lá. No entanto, o castelo que vemos hoje nasceu somente no século XIV. A vila foi gradualmente formada com várias fases de construção durante os séculos XV e XVI.

Ao longo dos séculos, o castelo pertenceu a várias famílias nobres. Entre os séculos XVI e XVII, foi o lugar de descanso e residência de muitos papas, entre eles Gregório XIII, Sisto V e Urbano VIII.

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Como é visitar o Castelo de Santa Severa

O castelo de Santa Severa ficou fechado por muitos anos, mas em 2017 abriu suas portas novamente ao público.

Foi muito simples chegar lá a partir de Roma e mesmo de longe já dava para avistar o castelo. Deixamos o carro no estacionamento na frente do castelo e entramos pela porta arqueada que dá acesso à pequena vila medieval que nasceu ao redor da fortaleza.

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A entrada

É possível passear pela vila mesmo sem bilhete, pois este é para entrar nos museus e na torre. As áreas ao ar livre são abertas ao público e por lá há também uma série de lojinhas, uma livraria, um café, mas também uma parte da vila ainda está em reforma, tanto que quando fomos lá, uma manhã de quarta-feira bem cinza e chuvosa, havia vários operários trabalhando nas reformas.

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No Castelo de Santa Severa há bem cinco museus e o bilhete cumulativo serve para visitar todos. O primeiro museu que a gente encontra é aquele do Mar e da Navegação Antiga, um espaço que ilustra a história da antiga Pyrgi, com salas de exposições que retratam as glórias da marinha fenícia, grega, etrusca e romana.

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Estão expostos reconstruções e achados arqueológicos encontrados no fundo do mar em frente ao Castelo de Santa Severa ou nas imediações, como algumas ânforas muito grandes, podendo conter até 2.500 litros, usadas para armazenar vinho.

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Uma reconstrução de uma embarcação afundada no mar Tirreno.

Logo depois fica o Antiquarium, um museu pequeno mas valioso que preserva achados importantes encontrados em mais de quarenta anos de escavação na área sagrada de Pyrgi.

Seguindo adiante, já para acessar o corpo principal do castelo, encontra-se o Museu do Castelo de Santa Severa, com artefatos e documentos que nos demonstram como era a vida quotidiana no castelo.

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Uma das salas do Museu do Castelo de Santa Severa

A torre e o panorama nos arredores

Apesar do frio intenso (era inverno!), não podia deixar de subir até a torre do castelo de Santa Severa para poder admirar o panorama. Para subir lá, é preciso pagar um ingresso à parte (3 euros) e a subida é feita com um funcionário do museu e em pequenos grupos. Por sorte, havia somente eu e, por isso, pude desfrutar sozinha da paisagem.

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A subida acontece pelo edifício da direita, depois passamos por aquele ponte no meio (tenso) e chegamos à torre.

Como o vento estava forte, o funcionário me alertou que tivesse cuidado com minha bolsa, celular e máquina fotográfica, pois poderiam voar! A subida é tranquila, apesar das muitas escadas, mas não é indicado a quem tem problemas de mobilidade ou claustrofobia.

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Terraço panorâmico da Torre Sarracena, de onde é possível ter uma ampla vista a 360º da costa do Lazio.

Lá em cima o funcionário me explicou um pouco da história do lugar e da importância estratégica do castelo em termos de localização desde os primórdios até a II Guerra Mundial, quando serviu de base militar para os alemães.

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Uma maquete do castelo exposta no Museu de Santa Severa. Aqui dpa para ver mais claramente a forma real do castelo.

Por último visitamos o Museu do Território e, com isso, o passeio não poderia ter terminado de modo melhor! Ao nos aproximarmos da entrada do museu (paramos para fotografar um gatinho), um senhor de cabelos brancos nos chama e nos convida a entrar. Era o Sr. Giulio, alquimista, mineralogista do Castelo” (como estava escrito numa plaquinha pendurada na parede).

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O Sr. Giulio, em modo muito apaixonado, começou a nos explicar a  história do trabalho agrícola e, acima de tudo, de sua vida. Extremamente culto, um professor universitário e cientista, o Sr. Giulio contou quase toda a história de sua infância, de seus pais que trabalhavam em uma mina, do fato dele ter nascido naquele vilarejo e de como, tendo crescido ali, ele se apaixonou pela paleontologia e pela geologia.

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Foi graças à paixão e à determinação do Sr. Giulio que ele conseguiu montar esse museu (que pode ser visitado mesmo sem o bilhete para os outros museus). O museu é dividido em seções sobre o aspecto geológico do território, depoimentos paleontológicos, atividades de trabalho no campo da agricultura, extração de mineração e atividades artesanais.

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Não vá embora do castelo de Santa Severa sem passar no Museu do Território e trocar duas palavrinhas com o Sr. Giulio. Vale muito a pena, inclusive se você estiver com crianças, porque ele tem toda uma didática para explicar a geologia. Ok, ele só fala italiano, mas tenho certeza que até só com gestos vocês vão se entender.

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Valeu muito a pena ter colocado o castelo de Santa Severa no nosso roteiro. Além de toda a história, a vista de lá era linda mesmo em um dia de chuva, imaginem então em um dia ensolarado!  Não perca esta visita e tire tantas fotos quanto possível.

 

Uma dica para quem viaja no verão

Se você viaja para Roma no verão e gostaria de conhecer uma praia frequentada pelos romanos, pode aproveitar para unir o útil ao agradável indo par a praia de Santa Severa. Além de poder curtir a praia, você ainda conhece esse lindo castelo!

 

Informações práticas

O Castelo de Santa Severa fica aberto de terça a domingo:
– de 25 de abril a 30 de setembro, das 10 às 19h
– de outubro a novembro, das 10 às 15h
– de dezembro a fevereiro, das 10 às 14h
– de março ao final de abril, das 10 às 15h. le ore 15

O bilhete inteiro custa 8 euros e o acesso à torre 3 euros. O ingresso é gratuito para crianças menores de 6 anos e para deficientes.

 

Como chegar ao Castelo de Santa Severa

De ônibus a partir de Roma:
Linha Cotral Roma Cornelia-Civitavecchia, parada “Santa Severa/Castello”

De trem
Linha FM5 Roma-Civitavecchia – parada Santa Severa

De carro
Chegando ao km. 52.500 da via Aurelia, siga as indicações para entrar na avenida que dá acesso ao Castelo (conseguimos chegar facilmente usando o navegador do Google Mapas). O acesso para o castelo também é bem sinalizado.

 

Veja mais imagens do Castelo de Santa Severa

 

 

Mais dicas:

Saiba mais:

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♦ Mapa                                                                                     

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Patrícia Kalil
Patricia Kalil, graduada em administração de empresas, mora na Sicília desde 2007 e é autora do blog Descobrindo a Sicília. Ela deixou o calor e as festas de Salvador para abraçar as belezas de outro lugar tão acolhedor quanto a Bahia e mergulhou na cultura e na história milenar da Sicília. Apaixonada desde sempre por viagens e pela língua e cultura italiana, acabou unindo o útil ao agradável e decidiu espalhar aos quatro ventos que a Sicília merece ser vista.
 

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