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Apesar de muita gente “passar” por Nápoles para visitar as mais renomadas localidades turísticas da Costa Amalfitana, são poucos aqueles que de fato param na cidade para conhecer um pouco mais da Nápoles autêntica, uma cidade veraz, viva, que encanta.

Passei quatro dias conhecendo lugares mágicos da cidade, muitos dos quais totalmente desconhecidos mas de uma beleza indescritível. O tour, do qual participaram jornalistas e blogueiros (todos italianos, eu era a única convidada estrangeira), fazia parte do projeto Baia di Napoli – um projeto financiado pelo Ministério da Cultura e Turismo italiano –, e tinha o objetivo de promover e valorizar a área turística do Golfo de Nápoles, fazendo com que mais e mais pessoas conheçam as maravilhas daquele território, muitas vezes ignoradas.

 

Dia 1 – Fim de tarde cultural e noite de pizza

Eu moro na Sicília, então preferi viajar até Nápoles de avião. Três companhias aéreas fazem a rota Catânia-Nápoles: EasyJet, Meridiana e Alitalia, eu viajei com a última. Já de trem, a viagem dura cerca de 7h40 (sempre até Catânia) e essa “odisseia” eu tive que enfrentar na volta.

Mas vamos ao que interessa, o roteiro em Nápoles. Cheguei à cidade em uma tarde ensolarada. Ir do aeroporto até o centro é bem simples, pois há um ônibus que leva diretamente até a estação de trem central. A viagem é rápida e o bilhete custa 3 euros se você o comprar no Tabacchi dentro do aeroporto ou 4 euros se comprá-lo a bordo do ônibus. O táxi para o centro custa cerca de 20 euros. Eu fui de ônibus e desci na estação central, onde peguei o metrô até a estação de Toledo, considerada a estação de metrô mais bonita do mundo!

Fiquei hospedada no Golden Hotel, um três estrelas muito simpático a cerca de 200m da estação de Toledo. O hotel era simples, mas os quartos extremamente limpos e confortáveis, pessoal gentil e ótimo café da manhã.

Feitas as devidas apresentações, partimos para a Via Carbonara, para conhecer a Igreja de San Giovanni a Carbonara, uma das igrejas mais ricas de Nápoles. Como neste período do ano escurece cedo, visitamos a igreja quando já era noite, com uma guia muito simpática da Food and Art, uma associação que propõe percursos turístico-gastronômicos em determinadas zonas de Nápoles. No nosso caso, foi associado ao tour na igreja, uma degustação de babá, o doce símbolo da cidade.

Altar da Igreja de San Giovanni a Carbonara

Altar da Igreja de San Giovanni a Carbonara

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Terminado o tour e a degustação do babá, prosseguimos a pé até o Museu de Arte Contemporânea Donnaregina, ou simplesmente Museu Madre. É um museu enorme situado em um palácio histórico de Nápoles e conta com 7200m² de espaço expositivo no qual estão expostas obras e instalações temporários e coleções fixas. Veja AQUI a atual programação de exposições no Museu Madre.

Uma das salas de exposição do Museu Madre

Uma das salas de exposição do Museu Madre

Na hora do jantar, nos encaminhamos para a Pizzeria Le Figlie di Iorio, onde fomos recebidos por Teresa, a proprietária e primeira mulher a vencer o campeonato mundial de pizzaiolos. A pizzaria é minúscula e muito simples, mas a pizza deliciosa. Aliás, dificilmente você comerá uma pizza ruim em Nápoles, afinal de contas foi lá que nasceu a pizza!

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Dia 2 – Vulcão e Sítio Arqueológico debaixo de chuva

O segundo dia de passeio foi dedicado à natureza e à arqueologia. Teria sido maravilhoso se não tivesse chovido canivetes. Mesmo com muito frio e debaixo de chuva, nos deslocamos até a vizinha cidade de Pozzuoli, que dista somente 20km de Nápoles.

Uma vez em Pozzuoli, fomos à descoberta do Vulcão La Solfatara, um dos quarenta vulcões que fazem parte dos Campos Flégreos (em italiano, Campi Flegrei), por sua vez um dos 10 supervulcões existentes no mundo. O La Solfatara não possui aquela forma cônica que a gente logo reconhece em vulcão e, de fato, não precisei escalar nada para chegar até a sua cratera.

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Apesar de estar dormindo, o La Solfatara é um vulcão ativo e há 2000 anos é caracterizado por uma série de fumarolas de onde sai dióxido de enxofre, pela alta temperatura do solo e pela emissão de jatos de lama quente.

Depois de conhecer a cratera do La Solfatara, fomos até o Rione Terra, ainda na cidade de Pozzuoli. O Rione  Terra era uma espécie de bairro da cidade, mas em 1970 foi evacuado e abandonado por causa de um fenômeno chamado bradissismo, ou seja, o movimento lento de deformação da crosta terrestre, provocando uma elevação do solo. Nos anos 90, durante as obras de requalificação do  bairro abandonado, foram descobertas as uma série de estradas romanas e que remontam ao século II a.C. Naquela época, Pozzuoli era o porto mais importante de Roma e, portanto, era uma cidade rica. Ao longo do percurso acessível ao público, há uma série de efeitos especiais para que possamos entender como era a sociedade naquela época.

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À tarde, fomos visitar outro sítio arqueológico muito importante, a Piscina Mirabilis na cidade de Bacoli. Apesar de se chamar “piscina”, trata-se de uma cisterna de época romana, a maior cisterna de água potável já construída. Ela é tão grande, que chega a lembrar uma imensa catedral. De fato, antes da descoberta da sua utilidade no passado, acreditava-se que fosse uma espécie de templo.

A Piscina Mirabilis

A Piscina Mirabilis

Dia 3 – Presépios, igrejas, catacumbas e cultura popular

Durante a manhã, nós bloggers nos desligamos do resto do grupo (que participaria a um seminário) e fomos conhecer a famosa via dos presépios de Nápoles. A rua San Gregorio Armeno é conhecida no mundo inteiro graças aos artesãos que trabalham ali e expõem em suas lojas/ateliê, verdadeiras obras de arte, desde estatuetas até presépios inteiros, imensos.

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Aqui na Itália, além da normal árvore de Natal, muitas famílias mantêm a tradição de decorar a própria casa também com presépios e em Nápoles esse costume é ainda mais acentuado. As lojas ficam abertas o ano inteiro, então independentemente da época do ano que você visitar Nápoles, eu realmente aconselho a dar um pulinho lá.

No fim da manhã, nos reunimos ao resto do grupo que se encontrava no Castel Nuovo, também conhecido como Maschio Angioino, e aproveitamos para visitar o museu cívico, onde há um afresco de Giotto.

Depois do almoço, fomos visitar o Museu Capela Sansevero, uma verdadeira jóia do patrimônio artístico internacional e lá se encontram várias entre as principais obras mais importantes de Nápoles, destacando-se entre elas o Cristo Velato.

Em seguida, nos deslocamos até a Igreja de Santa Maria das Almas do Purgatório, onde conhecemos um pouco da tradição napolitana de culto aos defuntos. É muito estranho para nós que não estamos acostumados com isso, mas ao mesmo tempo extremamente interessante. Em poucas palavras, as pessoas “adotavam” os restos mortais de alguém e cultuavam aquele defunto, usando-o como uma espécie de santo protetor. A eles pediam graças e atribuíam milagres. Isso ainda pode ser visto no subsolo da Igreja de Santa Maria das Almas do Purgatório, onde há uma série de esqueletos e, juntos com eles, agradecimentos, preces, ex-votos e até dinheiro e jóias oferecidos em troca de alguma graça.

Os esqueletos com ex-votos

Os esqueletos com ex-votos

Deixando a inquietante Igreja de Santa Maria das Almas do Purgatório, fomos à Catedral de Nápoles para conhecer outro importante símbolo de fé dos napolitanos: São Gennaro. Na catedral se encontra a capela de San Gennaro, o lugar onde acontece a máxima expressão de culto e fé dos napolitanos. Lá estão as relíquias do santo e as ampolas com o famoso sangue de San Gennaro que “se liquefaz”.

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Encerramos o dia com uma visita às Catacumbas de San Gennaro, localizadas em um bairro mais afastado do centro da cidade, chamado de Capodimonte. As catacumbas remontam ao século II e são as maiores e mais importantes do sul da Itália. Os ambientes são decorados com afrescos e mosaicos e são tão amplos que mais parecem uma cidade subterrânea. É lá que se encontra a tumba de São Gennaro, por isso é outro importante lugar de culto para o povo de Nápoles.

As catacumbas

As catacumbas

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Leia AQUI na íntegra o texto sobre as Catacumbas de San Gennaro!

 

Dia 4 – Museu Ferroviário e Palácio de Portici

No último dia de tour, tivemos apenas uma manhã disponível. Esta foi dedicada à visita ao Museu Ferroviário e ao Palácio de Portici, cidade que faz parte da região metropolitana de Nápoles, localizada ao lado de Herculano.

O Museu Ferroviário de Pietrarsa é um dos mais importantes centros de arqueologia industrial e um lugar onde se encontram os símbolos da história ferroviária italiana.  O museu surge onde antigamente (século XIX) havia a oficina de construção e montagem dos trens da época em que dominava a família real dos Bourbon. São 36.000 m² de área onde estão expostas várias locomotivas e vagões desde 1839 até os dias de hoje.

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A última etapa do tour foi o Palácio de Portici (em italiano, Reggia di Portici), e ali visitamos o lindíssimo jardim botânico e algumas salas do palácio.

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Não percam os próximos textos com as explicações detalhadas de cada uma dessas atrações!

 

Nota: Eu participei desta viagem de imprensa como convidada pelo projeto Baia di Napoli. Este post faz parte de uma série de textos baseados nas minhas experiências durante esta viagem. Todos serão identificados. Não recebi dinheiro para escrever, não tenho nenhum vínculo de obrigações de produção de textos, divulgação de mídia social, portanto tenho total liberdade editorial.

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Patrícia Kalil
Patricia Kalil, graduada em administração de empresas, mora na Sicília desde 2007 e é autora do blog Descobrindo a Sicília. Ela deixou o calor e as festas de Salvador para abraçar as belezas de outro lugar tão acolhedor quanto a Bahia e mergulhou na cultura e na história milenar da Sicília. Apaixonada desde sempre por viagens e pela língua e cultura italiana, acabou unindo o útil ao agradável e decidiu espalhar aos quatro ventos que a Sicília merece ser vista.
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3 Comments

  1. Filipe Morato Gomes / 30/05/2018 at 18:00 /Responder

    Olá Patrícia, aos poucos Nápoles vai ficando no meu radar de viajante. Cheguei aqui pesquisando sobre a cidade e queria agradecer o muito interessante post que escreveu a respeito. Grande abraço e até breve.

  2. Celso Amodeo / 12/07/2016 at 14:54 /Responder

    Patricia
    Meu pai nasceu em Reggio di Calabria. Tenho quatro dias para visitar essa região de 1 a 4 de setembro/16. Gostaria muito de receber suas sugestões de como dispender da melhor forma esses quatro dias na região.
    Agradeço antecipadamente

    • Patrícia Kalil
      Patrícia Kalil / 31/07/2016 at 10:17 /Responder

      Olá Celso,

      Em 3 dias não dá para fazer muita coisa. O que posso te sugerir é que, além de Reggio Calabria, você pode atravessar até Messina na Sicília ou então ir subindo pela Calábria, para visitar Scilla e Tropea!

      Um abraço,

      Patricia

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