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Siga o  diário de viagem da Eleonora pelo Caminho de São Bento, em ocasião do Jubileu extraordinário de Roma 2016. O caminho passa pelas regiões italianas da Umbria e Lazio e termina em Roma, na audiência com o Papa.

Introdução:

Em ocasião do Jubileu Extraordinário de Roma em 2016, o consórcio Caminhos de São Francisco (Cammini di San Francesco), juntamente com as regiões italianas do Lázio, Toscana, Úmbria e Marche e o suporte de vários órgãos ligados à peregrinação, está organizando o Italian Wonder Ways, uma iniciativa para divulgar cinco dos vários caminhos. Bloggers e jornalistas do mundo inteiro, inclusive nós do Itália para Brasileiros, iremos percorrer o Caminho Franciscano della Marca, a Via de São Francisco, a Via Amerina, a via Francigena e o Caminho de São Bento. Eleonora, irá percorrer o caminho número 5, Caminho de São Bento.

Eleonora é uma amiga do blog, já escreveu um texto sobre sua região, Marche e é uma blogueira italiana que está, nesta viagem representando o Itália para Brasileiros, substituindo a nossa autora Deyse, que não pode participar da viagem por razões de saúde.

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Este caminho não trata da vida de São Francisco, mas sim de São Bento de Norcia, ou somente São Bento e atravessa o coração da Itália, incluindo as regiões do Lácio e Úmbria, passando por Norcia, cidade onde nasceu São Bento, Subiaco, onde ele viveu e Montecassino, onde passou os últimos anos da vida dele.

São Bento (em italiano San Benedetto) nasceu em 480 em Norcia, na Úmbria. Muitos acreditam que ele foi o fundador das modernas ordens monásticas ocidentais, apenas por ter fundado a ordem dos beneditinos, famosa por seu lema “Ora et labora” (reza e trabalha), que expressa a importância que a ordem atribui à vida contemplativa juntamente com o trabalho manual. Tanto é assim que a sua cultura de oração e de trabalho desempenhou um papel fundamental na divulgação e preservação da cultura, graças ao enorme trabalho dos escribas (amanuensi) beneditinos na cópia de bibliotecas inteiras, com  paciência e dedicação ao trabalho, que a história deve ainda redescobrir e valorizar pelo papel fundamental na difusão e preservação da cultura ocidental.

Durante o percurso passaremos nas encostas mais baixas do Monte Taleo, onde fica o complexo espetacular do Sacro Speco, local que se estabeleceu São Bento no início do século VI, e onde os monges criaram no século XII uma fortaleza feita de capelas, cavernas, dormitórios, igrejas sobrepostas. Já em Montecassino com o seu convento onde São Bento escreveu a regra que lhe rendeu o título de patrono da Europa e está resumida na máxima: “Ora et Labora” (reza e trabalha).

Dia 1 – Umbria ao Lácio

Eu comecei o percurso por Ferentillo (Umbria),  na Abbazia di San Pietro in Valle, onde recebi a benção para o início do Caminho de São Bento, junto com outros fiéis que assistiram a celebração. A Abadia fica no alto da cidade, com um lindo panorama.

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Depois do almoço, nosso grupo seguiu para Rieti ( já na região do Lácio), onde fomos recebidos pelo assessor de turismo da cidade na Comune (prefeitura) e visitamos o Teatro Vespasiano Flavio, um dos teatros com melhor acústica da Itália onde se fazem espetáculos famosos de lírica como o Reati Festival.

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Na cidade de Riete, tem ainda a cidade subterrânea que vale a pena visitar. Neste local na época romana, transportavam o sal da costa Adriática ate Rieti por uma espécie de viaduto, que com a estratificação no passar dos anos, hoje fica a alguns metros abaixo da terra. Riete ainda fornece 80% da água da cidade de Roma, através de um aqueduto.

Rieti afirma ser o centro da Itália, e na central Piazza San Rufo, existe um monumento “controverso” (a famosa Caciotta) de forma circular que marca o “centro da Itália”. Presumivelmente, fundada antes de Roma, em uma antiga acrópole que pode ser visitada ainda hoje na parte subterrânea extremamente sugestiva. A cidade tem uma muralha do séc XII /XIV impressionante e monumental. A tradição que Rieti fosse o centro da Itália é antiga. O escritor Varro (116-27 a. C.) fez a primeira citação que fala do Vale do Rieti como o centro da Península.

Almoçamos na Residenza D’Epoca San Pietro in Valle em Ferentillo.

Jantamos no Restaurante La Foresta di Rieti, na praça principal da cidade, com muito queijo.

Dormi no Park Hotel Villa Potenziani, um hotel realizado em um Villa antiga de uma família, 4 estrelas muito bom, pontuação 9 no booking.

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Dia 2 – Castel di Tora a Subiaco (Lácio)

Pela manhã fomos de ônibus de Rieti até Castel di Tora, sempre na região do Lácio (Lazio). Dali começamos nosso percurso à pé, passando rapidamente pelo centro histórico de Castel di Tora, um burgo medieval de 1035, mas foi um antigo assentamento romano denominado Tora o Civitas Torensis, no qual em 250 d.c. ocorreu o martirio de Santa Anatolia.

No alto de Castel di Tora é possível ver o maravilhoso Lago di Turano, que foi formado pela barragem do Rio Turano e tem uma cor incrível. O caminho é muito cansativo, e em subida, tem que ter um pouquinho de resistência aqui.

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Nosso almoço foi na cidade de Orvinio, no Castello di Orvinio, onde fomos recebidos pelos proprietários, que fizeram muita festa para nos receber, encontramos até as Sabine, mulheres vestidas com as roupas típicas da região.

Em seguida fomos de ônibus até o complexo espetacular do Monastero do Sacro Speco, ou Monastero di San Banedetto, há 650 metros de altura, onde os monges criaram no século XII uma fortaleza feita de capelas, cavernas, dormitórios, igrejas sobrepostas.

É uma verdadeira  jóia na face da rocha do Monte Taleo, perto de Subiaco, que há quase mil anos ocupa um dos lugares mais significativos da espiritualidade beneditina: a caverna onde no início do século VI, o jovem São Bento de Norcia viveu como eremita. Através do período de solidão que ele passou neste lugar áspero e selvagem, São Bento foi capaz de amadurecer o carisma e a espiritualidade que o levou em poucos anos a fundar as primeiras comunidades monásticas ao longo do vale do rio Aniene: o embrião do qual se desenvolveria o todo monaquismo ocidental. Ainda hoje, embora cercado por obras arquitetônicas e artísticas extraordinárias sedimentadas ao longo dos séculos, a caverna preserva o sentido autêntico da “fuga” de São Bento, a fundação de cada escolha da vida monástica.

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O Sacro Speco é composto da:

  • igreja superior, que data do século XIV e é dividido em duas partes: a primeira é caracterizada por os afrescos escola de Siena (século XIV) relacionadas com os episódios da última parte da vida de Cristo; o segundo com afrescos de escola Umbria-Marche (século XV) sobre alguns episódios significativos da vida de São Bento.
  • caverna sagrada do eremitério, o Sacro Speco, (Sacra Grotta dell’eremitaggio), em que é preservado o trítico em mármore, constituída pela imagem do santo, uma cruz e uma cesta, esculpida em 1657 por Antonio Raggi, um aluno de Bernini.
  • uma capela muito importante é San Gregorio, uma vez que mantém o “retrato” único no mundo de São Francisco de Assis, que é a único afresco do santo realizado quando ele estava vivo; por esta razão foi mostrado sem a auréola, mas também sem estigmas, que recebeu em 1224, um ano após a construção deste afresco em Subiaco.
  • a Capela de Nossa Senhora, pintado por artistas da escola de Siena, com episódios da vida da Virgem. Ela tem um significado muito importante de purificação, ascese, desapego dos bens terrenos.

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Depois seguimos para um outro local próximo dali, o Monastero Santa Scolastica, também em Subiaco. Santa Escolástica se diz, seria a irmã gêmea de São Bento.  Este é mais antigo mosteiro beneditino da Itália e também do mundo, e é o único dos treze fundados por São Bento que sobreviveu ao longo dos séculos em Subiaco. Hoje consiste em três claustros e uma igreja, quatro estruturas arquitetônicas muito interessantes e diferenciadas entre eles, como pertencentes a vários períodos e estilos diferentes.

Fizemos uma parada para “merenda” no monastério com doces típicos da região. Dormimos hoje na Foresteria do monastério, local reservado para acolher os peregrinos em viagem. Não é um hotel de luxo, mas depois de andar 13 km, já to mega feliz com um colchão pra dormir!

Jantamos no Restaurante La Panarda, várias massas e boa comida caseira.

Total da caminhada: 13 km de Castel di Tora a Pozzaglia

vista durante a caminhada

vista durante a caminhada

Dia 3 – De Subiaco a Fiuggi (Lácio)

Começamos o dia com uma caminha por Subiaco, que fica entre planícies e montanhas e é atravessada pelo rio Aniene e dominado pelo Monte Simbruini (1592 metros) e Monte Livata (1.429 metros), onde há ainda uma área de esqui.

Nossa caminhada foi em descida do Monastero de Santa Scolastica, que visitamos ontem, em direção ao Laghetto di San Benedetto, Lago de São Bento em português, um belo trecho de água cristalina com uma cascata, onde segundo a lenda São Bento se banhava.

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A lagoa seria a única sobrevivente dos três lagos famosos da Villa de Nerone, o testemunho do turismo de mil anos na área, onde o imperador romano construiu uma casa de verão que se estendia por cerca de 75 hectares, 15 a mais que a Vila de Adriano em Tivoli. Alguns dos restos da Villa de Nerone são visíveis um pouco depois do lago, e o restante espalhado pela encosta. Nos tempos medievais em alguns ambientes da área do Villa foi reaproveitados na construção de um dos treze mosteiros construídos por São Bento e dedicados à São Clemente.

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Dalí, continuamos a nossa caminhada até Trevi nel Lazio, um percurso muito panorâmico, onde ainda podemos ver um dos únicos mulinos ainda existentes na região. A cidade é pequena, há 2.000 habitantes, e fica na província de Frosinone, localizado no Vale do rio Aniene, o rio que atravessa a cidade, formando as “Cascatas de Trevi”. Um dos locais de interesse cultural e histórico é o Castello Caetani (século XI), localizado no ponto mais alto da cidade, um monumento aberto à visitas. Nos almoçamos numa das salas deste Castelo, oferecido pela cidade.

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Em seguida, fomos à Guarcino que fica à 625 metros acima do nível do mar. Na região fica ainda o Monti Ernici que chega a 2.000 metros acima do nível do mar e a partir do qual se pode desfrutar o panorama da Lazio até o Mar Tirreno, incluindo as ilhas Pontine. O Monte Ernici e o Monte Verminado são famosos por seus abismos, com uma das maiores cavernas do Lazio.

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Um dos doces típicos da cidade é o amaretto, de forma oval e castanho claro com amêndoas, clara de ovo e açúcar, que nos vimos como se produz com uma das pessoas locais. E outro produto famoso é a acqua di Fillete, água de uma nascente de água mineral muito famosa pela sua quantidade de sais minerais, que é vendida em vários países europeus.

De Guarcino fomos para Fiuggi, outra cidade famosa pela sua água, neste caso pelos banhos termais que derivam da Fonte Bonifacio VIII e Fonte Anticolana, que juntos criaram um dos maiores complexos termais e mais antigos da Itália, com origens romanas. Nos visitamos a Terme di Fiuggi.

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Jantamos no Golf Club de Fiuggi e neste dia dormimos no Hotel Touring Spa, hotel 3 estrelas muito bom, há uma pontuação 7.9 no booking.

Total da caminhada: 5 km de Subiaco – Trevi nel Lazio

Continue lendo sobre esse diária de viagem na segunda parte deste texto aqui

Para saber mais sobre os caminhos de São Francisco na Itália, leia aqui.

Nota: Participaremos desta viagem de imprensa como convidada pelo consórcio Caminhos de São Francisco (Cammini di San Francesco), juntamente com as regiões italianas do Lázio, Toscana, Úmbria e Marche e o suporte de vários órgãos ligados à peregrinação, organizado pelo Italian Wonder Ways, uma iniciativa para divulgar cinco dos vários caminhos com Bloggers e jornalistas do mundo inteiro. Este texto faz parte de uma série de textos baseados nas minhas experiências durante esta viagem. Todos serão identificados. Não recebi dinheiro para escrever, não tenho nenhum vínculo de obrigações de produção de textos, divulgação de mídia social, portanto tenho total liberdade editorial.

blogtour

EleonoraTramontiEleonora Tramonti nasceu em Ancona, região Marche e é graduada em Turismo pela Universidade de Perugia. Além de ser blogger e criadora do Italian Storytellers, ela também trabalha com marketing e social media. Ela está representando o Itália para Brasileiros nesta viagem pelo Caminho de São Bento.  

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4 Comments

  1. Marcos Domingues / 29/08/2019 at 09:27 /Responder

    Muitíssimo obrigado !!!! Já li todo o seu blog e o lerei novamente para separar suas sugestões !!!!
    Obrigadissimo !!!
    Sugerem hotéis ou casas para alugar ?
    Abraços

    • Deyse Ribeiro / 14/09/2019 at 15:26 /Responder

      Os hotéis indicamos ao longo dos textos do diário de viagem, dê uma olhada.
      Obrigada.

  2. Marcos Domingues / 25/08/2019 at 18:24 /Responder

    Bom dia !!!! Na busca de informações de viagem para Itália, tive a felicidade de encontrar o blog de vcs. Eu gostaria, para poder planejar melhor, de saber algo que pra mim é de primeira importância. Minha mãe é devota de São Bento, ela já tem seus 85 anos de idade, caminha, mas claro não muito, com algumas limitações de distância, mas posso viajar com uma cadeira de rodas bastante leve. Dentre este roteiro de São Bento, qual seria, dentro os três, o mais simbólico para que eu possa levá-la? Nao há condições de fazer o circuito todo com ela, mas quero muito realizar este seu sonho. Planejo algo para Outubro próximo. Abraços e desde ja agradeço imensamente. Marcos Domingues

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