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O vermute, conhecido em todo o mundo como um aperitivo por excelência, é um componente indispensável para alguns dos coquetéis mais famosos do mundo.

Preparado essencialmente com vinho branco, absinto e uma combinação de outras ervas e plantas, as quais variam de um fabricante para outro, é servido como aperitivo, com gelo e geralmente acompanhado por uma fatia de laranja ou um pedaço da casca. Não há nada melhor para aguçar o apetite em um domingo de sol. Ou qualquer dia. Tradição é tradição!

Se é para fazer um apetitivo em Turim, que seja com vermute!

A história do vermute

Mas quem foi o iluminado que teve a ideia de colocar ervas de molho em vinho branco? E melhor ainda, quem foi o personagem que estabeleceu a tradição de beber vermute com uns petiscos quando a fome começa a bater?

Bem, as origens são um pouco controversas. Alguns relatos dizem que na Grécia Antiga, no século V a.C., o médico e filósofo Hipócrates vivia fazendo tônicos medicinais a base de ervas.

Certa vez, ele colocou flores de absinto e folhas de uma espécie de orégano para macerar no vinho, dando origem a um ancestral do nosso vermute atual.

Outras teorias, no entanto, afirmam que suas origens remontariam ao Egito Antigo e ao Império Romano. Dizem que há uma referência a um tipo de vermute em um canto da Odisséia de Homero, quando a rainha Helena oferece ao marido Menelau uma preparação à base de plantas egípcias.

Do mesmo modo, o antigo costume de macerar ervas no vinho era, na verdade, mantido pelos antigos romanos e outras culturas passadas, tradição que remonta à Idade Média e a várias comunidades monásticas européias.

Mas enfim, o vermute como o conhecemos hoje se deve a um homem chamado Antonio Carpano.

Vermute, uma bebida condimentada com história

Era o ano de 1786 e estamos na loja de bebidas do Sr. Marendazzo, na Piazza Castello. Lá trabalha seu assistente, um certo Antonio Benedetto Carpano, que logo descobre as maravilhosas qualidades do vinho Moscatel e o resultado da adição de diferentes ervas e especiarias da região do Piemonte.

A reputação desta bebida com sabor amargo se espalha entre a realeza e membros da alta sociedade, tornando-o um produto de luxo ideal para o aperitivo, devido às suas qualidades de abertura do apetite!

A primeira receita consistiu em misturar vinho branco com uma infusão de mais de 30 ervas e especiarias com a adição de álcool. A principal erva, no entanto, era o absinto, o ingrediente que mais se destacava, caracterizando o vermute.

De fato, esse nome deriva do nome alemão da planta de absinto, que se diz Wermut. O Sr. Carpano decidiu, então, usar o mesmo nome “adaptando-o” ao idioma italiano.

A receita é secreta, mas sabe-se que alguns dos ingredientes são: anis, cravo, erva-cidreira, camomila, louro, noz-moscada, sálvia, tomilho e baunilha.

 

O Vermute Carpano foi um sucesso!

Inicialmente, esta bebida foi criada para mulheres, pois é doce e muito mais agradável para o paladar feminino em comparação com os fortes vinhos piemonteses, mas acabou virando um sucesso em geral, homens e mulheres adoravam. Até os membros família real dos Sabóia eram fãs.

Placa comemorativa do Vermute Carpano

Placa comemoratica que indica que “A.B. Carpano em 1786, ali naquela casa, criou seu primeiro vermute,o qual muito contribuiu à fama e ao prestígio de Turim no mundo.

Obviamente o sucesso de Carpano virou notícia e começou a chamar a atenção de outras destilarias.

No final do século XVIII e durante o século XIX, marcas históricas de vermute como Martini & Rossi, Anselmo ou Cinzano começaram a aparecer, e é justamente por causa desse boom de vermute que alguns escritos enológicos da época estabelecem a marca “VERMOUTH DI TORINO”.

Além disso, a marca o distinguia de outros produtos, considerando-o melhor e mais precioso. Ainda, estabeleceram que em sua elaboração deve ter o vinho Moscato d’Asti Canelli.

Enfim, o Vermute de Turim obteve o reconhecimento europeu como produto IGP (Indicação Geográfica Protegida) em 2017.

Durante o século XVIII, o vermute se espalhou em popularidade e deixou de ser produzido à mão para gradualmente se industrializar. Assim, Antonio Carpano deixou de ser um simples empregado de adega e abriu sua própria destilaria.

Carpano e Turim

Com a morte de Antonio, o neto dele, Giuseppe, assumiu a empresa e expandiu suas instalações na Via Nizza, em Turim, fábrica na qual todo o processo foi realizado e que cresceu até ser transferida para Milão em 1996, quando se tornou propriedade da empresa Fratelli Branca.

Atualmente, a antiga fábrica Carpano é sede da filial da EATALY de Turim, que dedica um museu a Carpano, o inventor do vermute.

Antiga publicidade do Carpano

Carpano, além do clássico vermute, também inventou uma versão um pouco mais amarga, com quina, chamada Punt e Mes.

Enfim, graças à invenção de Antonio Carpano, o nome Carpano ainda pode ser encontrado nos cafés de Turim. As recomendações para beber uma taça de vermute incluem Caffè Mulassano (Piazza Castello) e Stratta (Piazza San Carlo).

Por exemplo, se você for ao Stratta, experimente a deliciosa combinação bombom mais um copo de vermute.

Você sabia que drinks famosíssimos como o Negroni, Americano e Manhattam são feitos com vermute?

Durante um passeio pela cidade, vale a pena visitar o Palazzo Carpano (Via Maria Vittoria, nº 4). A portaria geralmente permite que você dê uma olhada no cortile , jardim do pátio.

 

O Museu Carpano

Você vai descobrir mais sobre essas marcas históricas de vermute no Museo Carpano , no primeiro andar da Eataly de Turim.

Assim, onde antes ficava o arquivo cheio de documentos e o espaço onde as ervas eram processadas, os momentos importantes na história do vermute são agora contados em um museu pequeno, mas bonito.

O acesso ao museu se dá por dentro da Eataly. A entrada é gratuita!

Utensílios da antiga destilaria Carpano no Museu Carpano – Eataly de Turim

Enfim, para os amantes de vermute, eu diria que é quase obrigatório ter uma garrafa de Carpano em casa e, acima de tudo, aquele tradicional, o “Fórmula Antica”, pois se é para degustar como se deve, então melhor ser com o pai dos vermutes e com a receita mais próxima da original… certo?

Mas não se preocupe se você não conseguir ir a Turim comprar uma garrafa. Atualmente, é possível encontrá-lo na Amazon Brasil e na Eataly em São Paulo, por exemplo!

 

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