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Muita gente faz de Brindisi apenas ponto de chegada ou de partida para outros lugares. É lá que fica o segundo maior aeroporto da Puglia, e também o porto de embarque para a Grécia, mas além de tudo isso é um lugar lindo, perfeito para um passeio de um dia, como o que eu fiz.

Eu encaixei um passeio em Brindisi após ter partido de Altamura, com destino a Lecce. Queria um lugar para passear por algumas horas, sem pressa e almoçar antes de seguir viagem para o extremo sul da Puglia. Brindisi não poderia ter sido um destino melhor!

Brindisi pode não ser tão famosa como outras cidades da Puglia mas, na minha opinião, é aí que está o seu charme. É o tipo de lugar para quem gosta de viver experiências autênticas, observando a vida cotidiana dos moradores, indo e voltando das missas, dos mercados, sentados em um café para encontrar os amigos, etc. Hoje, Brindisi é um dos destinos mais subestimados da Itália, o que o torna uma escolha fantástica para aqueles que procuram uma experiência autêntica, fora dos percursos mais batidos!

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Um pouco da história de Brindisi

A cidade tem raízes ancoradas na época romana antiga, quando legionários, peregrinos, cavaleiros e comerciantes percorreriam a histórica Via Appia, a antiga e lendária estrada romana que ligava Roma a Brundisium, porto que oferecia uma conexão direta com a Grécia, o Egito e o Oriente. Daí o apelido da cidade: “Porta do Oriente”.

Ao longo de sua história Brindisi foi conquistada pelos ostrogodos e pelos bizantinos. Foi destruída em 674 pelos longobardos, mas logo reconstruída. No século XI foi conquistada pelos normandos, tornando-se parte do Principado de Taranto e do Ducado da Apúlia.

A cidade voltou à sua antiga glória durante o período das Cruzadas, como um porto privilegiado que conectava a Europa à Terra Santa. Durante este período a cidade viu a construção da catedral e do castelo. Brindisi também foi governada por um curto período pelos venezianos, e posteriormente recuperada pelos espanhóis. Entre 1707 e 1734 Brindisi caiu sob o governo austríaco e, mais tarde, sob os Bourbons.

Durante a 1ª Guerra Mundial, a cidade foi fortemente bombardeada, visto que era um importante porto de onde partiram mais de 207 missões, tanto que recebeu a Cruz da Honra Militar. Na 2ª Guerra Mundial novamente Brindisi sofreu com os bombardeios, tendo sido seu centro histórico gravemente destruído.

Nos anos 90 algumas organizações internacionais reconheceram a importância estratégica do porto de Brindisi e tanto que a FAO (ONU) criou um campo em uma parte do aeroporto militar, de onde partiam ajudas humanitárias para os países do leste europeu atingidos por guerras. Há, no entanto, um evento que ficará marcado para sempre na memória dos habitantes de Brindisi: em 1991 um navio com quatro mil pessoas amontoadas uma sobre as outras, sem comida e nem água, atracou no porto da cidade. À bordo refugiados fugindo da Albânia.

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Dicas do que ver em Brindisi

Chegamos a Brindisi de carro e o deixamos estacionado em uma das travessas do Corso Umberto I, a principal rua do centro de Brindisi e que leva até o porto.

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Logo no início fica a Piazza Cairoli, com a sua Fontana delle Ancore, o que já nos mostra, logo de cara, que Brindisi é uma cidade de marinheiros. As âncoras estão por todas as partes!

Prosseguindo pelo Corso Umberto I, chega-se à Via Garibaldi, com suas lojas e onde as famílias passeiam tranquilas, a qual nos conduz até a Piazza Vittorio Emanuele, de frente para o porto interno e onde antigamente ficava o antigo porto.

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Via Garibaldi

Exatamente em frente a Piazza della Vittoria, do outro lado do trecho de mar, nos deparamos com o enorme Monumento Marinaio d’Italia, um dos símbolos de Brindisi, que pode ser avistado a partir de diferentes pontos da cidade.

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A primeira pergunta que me fiz foi: como chagar ao outro lado? Daí percebi que frequentemente uns barquinhos iam e vinham, embarcando e desembarcando passageiros. Em diversos pontos do calçadão do porto de Brindisi há paradas (você as verá, são como se fossem paradas de ônibus), onde os barcos atracam e você pode atravessar. A travessia custa 1 euro.

O Monumento ao Marinheiro

Construído em 1933, durante a época Fascista por ordem de Mussolini, para homenagear os cerca de 6000 marinheiros mortos na Primeira Guerra Mundial, é um monumento que não é esteticamente bonito, mas que oferece uma vista maravilhosa de Brindisi.

Brindisi

Monumento al Marinaio d’Italia

Na parte inferior do monumento fica uma espécie de santuário com o nome dos marinheiros mortos durante a 1ª Guerra, divididos pela função de cada um: cabos, capitães de corveta, de fragata, oficiais submarinistas, etc.

Do outro lado fica um elevador que nos leva quase até o alto. Depois é necessário subir mais quatro andares de escada (nada excessivo) e se chega no terraço.

Para subir, é necessário deixar um documento de identidade na entrada (são medidas de segurança que eles tomaram após uma pessoa ter se jogado lá de cima algum tempo atrás). A entrada é gratuita.

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Brindisi do alto do monumento ao marinheiro.

Horários de funcionamento: Das 9 às 13h e das 15 às 16h30 no inverno. Das 9 às 13h e das 15 às 20h no verão.

 

A Catedral de Brindisi

Construída durante o século XII e, em seguida, reconstruída após o terremoto de 1743, hoje apresenta uma linda fachada neoclássica.

Catedral de Brindisi

Catedral de Brindisi

A Catedral de Brindisi foi lugar de muitos eventos históricos, como a coroação, em 1191, de rei Rogério da Sicília e sempre aqui, um ano mais tarde, casou-se com Irene. Em 1225, no entanto, não foram comemorados o casamento de Frederico II e a rainha Isabel II de Jerusalém.

Dentro, há os poucos fragmentos do piso de mosaico de 1178, o coro de madeira de 1594 realizado por escultores locais, a pia batismal do século XVI e muitas valiosas pinturas de várias épocas, dispostas em diferentes capelas, a sacristia, e os altares. Há também uma capela dedicada às relíquias de São Teodoro, padroeiro da cidade, juntamente com São Lourenço.

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Ao lado da catedral fica uma construção erradamente atribuída aos Templários: o chamado Pórtico da Ordem dos Templários, que na verdade era dos Cavaleiros de Jerusalém, é tudo o que resta de uma antiga igreja pertencente a essa ordem.

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A torre do sino da Catedral de Brindisi

 

A Coluna Romana

A coluna romana, situada no porto e acessível pela rua que passa sob o arco da torre do sino da catedral (foto acima), é uma das poucas lembranças visíveis que restam da Brindisi de época romana. Originalmente, havia duas colunas, mas hoje vemos somente uma delas, porque a outra é aquela que encontramos em Lecce, apoiando a estátua de São Oronzo, padroeiro da cidade.

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A Coluna Romana é de mármore e tem quase 19 metros de altura. No capitel estão representados quatro deuses e oito tritões entre folhas de acanto. No pedestal da coluna há uma inscrição que lembra a reconstrução de Brindisi após a destruição do século IX pelos sarracenos.

Estas eram as colunas que marcaram durante séculos o fim do Via Appia (bem como o ponto de desembarque de milhares de marinheiros), e que hoje estão localizadas no topo de uma linda escadaria que conduz até o porto. A base que fica ao lado, é o que resta da segunda coluna, que desmoronou no século XVI, mas cujos fragmentos intactos foram doados para a cidade de Lecce, em 1659. Segundo uma lenda, no ano 19 a.C o poeta romano Virgílio teria morrido logo ali perto, depois de voltar de uma viagem à Grécia.

Uma curiosidade: a outra coluna foi doada à cidade de Lecce como agradecimento ao santo pela cidade ter sido poupada da peste que semeou a morte no reino de Nápoles na metade do século XVII.

 

Templo de San Giovanni al Sepolcro

Dos numerosos hospitais e residências construído pelos Cavaleiros Teutônicos, pelos Cavaleiros Templários e pelos Cavaleiros de Malta para abrigar os soldados e peregrinos que viajavam para a cidade, este templo é um dos poucos que restam. Ele remonta ao século XI e foi construído seguindo o modelo do Santo Sepulcro de Jerusalém. A construção de um plano circular, com colunas, capitéis dóricos e um telhado de madeira, foi feita sobre uma domus romana existente do primeiro século, da qual permanecem os mosaicos (visíveis através de uma abertura). Nas paredes do templo há poucos restos de afrescos preciosos.

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O templo abre de terça a domingo, das 8 às 20h. A entrada é gratuita.

Faça um passeio na Puglia com o Roberto, um guia de turismo que fala português!

Outras coisas interessantes para fazer em Brindisi

Sinceramente Brindisi é aquele tipo de cidade para passear sem grandes preocupações. O ideal é deixar-se levar pelo ritmo da cidade, sentar em um café, tomar uma taça de vinho olhando o mar. Sabe aquele ritmo de férias e descanso? Pois é esse o ritmo que tem que ter um passeio em Brindisi!

Passear pelo centro histórico

Palácios antigos, a bela catedral, becos estreitos e casas antigas cheias de charme. A melhor maneira de explorar Brindisi é caminhando pelas suas ruelas. O centro é pequenininho e não dá para se perder.

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Caminhar pelo cais do porto

O porto é onde você encontrará uma variedade de lugares para comer e relaxar. Dê um passeio, admire os veleiros ancorados ao longo do cais, pare para uma bebida em um dos cafés e desfrute do perfume maravilhoso do mar. Há muitas vezes uma brisa agradável, tornando-o um ótimo lugar para escapar do calor.

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Onde comer em Brindisi

Brindisi é cheia de restaurantes charmosos, sobretudo de frente para o porto. Entrei por acaso no Antica Osteria La Sciabica, que tinha uma fachada lindinha e um menu interessante.

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Sciabbiche é o nome do antigo bairro em frente ao cais onde viviam as famílias dos pescadores. O lugar realmente lembra uma antiga vila, com seus casarões antigos, tudo colorido.

Assim que nos sentamos nos foi oferecido um delicioso pão caseiro com uma finíssima mortadela fatiada no momento. Pedimos uma entrada mista de mar e terra, composta por pratos tradicionais da Puglia e, na hora de escolher o prato principal, fomos convidados a escolher um dos peixes da vitrine. Acabamos optando por um polvo, o qual foi preparado na brasa e servido com verduras da estação.

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Serviço e ambiente ótimos, preços médio-altos mas adequados aos preços oferecidos.

Dicas de passeios se Brindisi for a sua base…

  • Ostuni: A encantadora Ostuni é perfeita para um passeio bate e volta a partir de Brindisi, visto que fica a apenas 40 km de distância. Leia nosso post sobre Ostuni: Ostuni, o que ver na “cidade branca” do Salento
  • Lecce: Um passeio de trem curto ao sul de Brindisi e você vai chegar em Lecce. Conhecida como a Florença do sul é bem a pena a viagem. A cidade é repleta de igrejas históricas e pontos turísticos, incluindo um anfiteatro romano do século II.

 

 

Como chegar a Brindisi

De avião: O aeroporto de Brindisi dista apenas 6km do núcleo urbano da cidade e é o aeroporto de referência para quem deseja visitar o Salento, o sul da Puglia. Do aeroporto partem ônibus urbanos para o centro da cidade.

De trem: A estação ferroviária de Brindisi fica no centro da cidade e é bem conectada com trens provenientes das outras cidades da Itália.

Com um transfer particular: Você pode ir a Brindisi a partir de outras cidades da Puglia com toda a comodidade de um serviço de transfer particular. Saiba mais AQUI.

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♦ Mapa                                                                                     

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Patrícia Kalil
Patricia Kalil, graduada em administração de empresas, mora na Sicília desde 2007 e é autora do blog Descobrindo a Sicília. Ela deixou o calor e as festas de Salvador para abraçar as belezas de outro lugar tão acolhedor quanto a Bahia e mergulhou na cultura e na história milenar da Sicília. Apaixonada desde sempre por viagens e pela língua e cultura italiana, acabou unindo o útil ao agradável e decidiu espalhar aos quatro ventos que a Sicília merece ser vista.

2 Comments

  1. Mariana / 16/08/2017 at 15:25 /Responder

    Patricia! Bom dia!
    Viajarei com os meus pais para a Europa no verão de 2018. Pegaremos um cruzeiro em Veneza e nossa primeira parada é Brindisi. Teremos das 13h30 às 19h30 para conhecer a cidade. Dado que a cidade é pequena, estou me questionando se deveria fazer esses passeios de bate e volta que você comentou. O que me sugeri? Onde devo ir? Muito obrigada!

    • Patrícia Kalil
      Patrícia Kalil / 16/08/2017 at 15:36 /Responder

      Olá Mariana,

      Fica a seu critério, não tenho como dizer onde você deve ir, é questão de gosto pessoal. Você pode aproveitar essas 6h para passear pela cidade com calma ou então contratar um transfer para ir a um outro lugar de sua preferência, mas que não seja muito distante, visto o pouco tempo que vocês têm disponível. Considere também que você teria que escolher uma, porque Ostuni fica em uma direção e Lecce fica na outra direção, lados opostos.

      Um abraço,

      Patricia

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