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Se você toca ou é apaixonado por instrumentos de corda, já deve ter ouvido falar dos violinos de Cremona, cidade do norte da Itália, localizada a cerca de 100km de Milão. Cremona é, há mais de quinhentos anos, a capital da lutaria – a arte da fabricação de instrumentos de corda – e lá você pode visitar a oficina de um luthier, conhecer o museu do violino e descobrir o quanto a cidade e a música estão intrinsecamente ligadas.

Uma caminhada no centro histórico de Cremona imediatamente dá a ideia de como a arte e a cultura do violino estão no dna da cidade. Há oficinas de luthiers por todas as partes, docinhos em forma de violino, estátuas que retratam os grandes mestres desta arte.

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Mas toda essa ligação com os violinos tem um motivo: Cremona é considerada o berço da lutaria porque foi lá que nasceram, no século XVII, Antonio Stradivari, Nicola Amati e Giuseppe Guarneri, considerados universalmente como os maiores luthiers de todos os tempos. Por esta razão, a Tradição da Liutaria Cremonese é reconhecida como Patrimônio Cultural da Unesco.

Leia também: Cremona, a cidade do torrone e do violino.

Antonio Stradivari, o gênio luthier italiano

O luthier (fabricante de instrumentos de corda)  mais famoso da Itália foi Antonio Stradivari. Em toda sua vida ele produziu mais de 1.100 violas, violinos, violões e violoncelos. Cerca de 600 de seus instrumentos existem até hoje.

Embora ele fosse bem conhecido como fabricante de violino durante sua vida, seus instrumentos não eram assim tão populares até o início do século XIX, quando o tom incisivo e poderoso, porém claro, foi considerado ideal tanto para a intimidade de um salão de música de câmara ou a vastidão de um auditório.

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Estátua de Stradivari no centro de Cremona

Os instrumentos de Stradivari pareciam ter sido feitos de algo especial e por mais de 250 anos as pessoas tentaram descobrir seu segredo. De acordo com o grande violinista Niccolò Paganini, Antonio Stradivari usou apenas “a madeira de árvores onde os rouxinóis cantavam”.

Hoje, cerca de 60 luthiers mantêm a tradição usando métodos semelhantes aos de Stradivari, mas todos ainda continuam na busca do “segredo de Strad”. A arte dos violinos de Cremona é tão importante e séria que foi criado até um consórcio que reúne os luthiers e uma marca, a “Cremona Liuteria” que certifica que os instrumentos musicais realmente foram construídos artesanalmente por um mestre luthier profissional de Cremona.

 

Como visitar a oficina de um luthier

Se você realmente quer conhecer de perto a arte da fabricação dos violinos de Cremona, eu recomendo visitar uma oficina de um luthier. Há muitas na cidade e não vão faltar opções para você escolher. No entanto, este tipo de visita deve ser organizada com antecedência, já que a maioria dos luthiers trabalham incessantemente e não apreciará se um grupo de turistas se aproxima de suas portas, atrapalhando um pouco a rotina diária. Por isso, é possível reservar uma visita a uma oficina de um luthier de Cremona através desta página AQUI. Preencha o formulário e você receberá uma resposta com as oficinas disponíveis para visita na data indicada.

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A oficina de um luthier em Cremona.

Eu tive o privilégio de visitar a oficina do mestre Stefano Conia, um luthier nascido na Hungria, filho de outro mestre luthier, que se transferiu para Cremona nos anos 60 depois de ter terminado os estudos de violino no seu país natal. Mestre Conia trabalha com o filho, Stefano Conia Jr., em um atelier localizado no coração de Cremona. Lá eles constroem seus instrumentos inspirados nos modelos dos grandes clássicos mas, ao mesmo tempo, exercendo-se na realização de vários modelos pessoais.

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Mestre Stefano Conia trabalhando na construção de um violino.

Para a construção de seus instrumentos, mestre Conia utiliza madeiras cuidadosamente selecionadas. Cada peça, com precisão controlada e acústica refinada, vem com um certificado de originalidade e garantia.

Assistir a pai e filho trabalhando juntos foi uma experiência inesquecível. Tudo é feito à mão com habilidade e precisão, indo contra a tendência da produção em massa que parece superar tudo.

 

 

Cada violino nasce de um pedaço de madeira bruta e são necessárias cerca de 220 horas de trabalho para construí-lo! Da escolha da madeira à montagem final, são várias as fases até que um instrumento fique pronto para ser utilizado pelos músicos.

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A escolha da madeira é um passo fundamental para a futura qualidade acústica e estética do instrumento. O tipo de madeira utilizada hoje pelos luthiers para a construção do violino é o mesmo usado na época de Stradivari. De fato, a experiência secular dos antigos mestres delimitou os tipos madeira: bordo para o fundo e abeto para a parte superior. O abeto das Dolomitas por suas qualidades acústicas, a madeira de bordo dos Balcãs pela beleza, mas não só.

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Ainda lembro do delicioso perfume de madeira!

Mais informações sobre o Stefano Conia e sua oficina, AQUI.

 

O Museu do Violino

No Museu do Violino é possível mergulhar na história de cinco séculos da fabricação dos violinos de Cremona. O museu é bem grande e rico em informações, e parece um pouco assustador no começo, se você não é um entendedor de violino. Esse foi o meu caso. Mesmo assim, o percurso é muito interessante, inclusive para os leigos.

O museu fica no Palazzo dell’Arte que foi totalmente restaurado pela Fundação Arvedi e inaugurado em setembro de 2013. A exposição começa com uma sala dedicada às origens do violino e à reprodução de uma oficina de luthiers, com seus segredos e ferramentas. Duas partes do museu merecem uma visita; um é o chamado “cofre do tesouro”, contendo alguns dos violinos mais preciosos do mundo. Está em semi-escuridão, e os violinos são todos exibidos em caixas de vidro individuais. É incrível pensar que alguns desses instrumentos foram feitos quase quatrocentos anos atrás, e ainda são tocados em concertos. O mais precioso de todos vale mais de cinco milhões de euros. Cinco-milhões-de-euros, dá para acreditar?

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O outro lugar é o auditório. Entre, e você se encontrará em um violino, com música tocando ao seu redor. A sala foi construída para simular o que acontece dentro de um violino. A musica salta nas paredes dos abetos, atingindo nossos ouvidos com um som extremamente suave.

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No auditório do Museu do Violino de Cremona são realizadas apresentações de violinistas. Ele foi concebido para assegurar a melhor acústica do mundo e tem um design único,  cujo som foi estudado pelo engenheiro Yasuhisa Toyota. O incrível deste auditório  é o nível de  perfeição do som atingido, que permite o seu uso como um estúdio de gravação. Não perca a oportunidade de assistir uma apresentação lá. Consulte o calendário oficial para ver quando elas são realizadas.

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Apresentação de uma solista de apenas 15 anos no auditório do Museu do Violino de Cremona. Ela tocou um violino original de Stradivari do século XVII!

Eu tive o privilégio de assistir a uma apresentação de uma solista (veja foto acima), mas é proibidíssimo fazer filmagens. Mas Deyse, a outra autora do Itália para Brasileiros, foi mais esperta que eu, e quando ela esteve no museu, teve a brilhante ideia de gravar um áudio. Escutem e emocionem-se!

 

O Museu dos Violinos de Cremona funciona de terça a domingo, das 10 às 18h. O bilhete inteiro custa 10 euros e está incluído um áudioguia (em italiano ou inglês). Mais informações AQUI.

 

Eventos e feiras que envolvem os violinos de Cremona

Se você se interessa pelo mercado dos violinos, pode aproveitar para visitar a feira Cremona Mondomusica.

Cremona Mondomusica é a maior e mais importante feira  mundial de lutaria de alto nível. Nela se encontram os melhores luthiers e distribuidores do mundo, juntamente com os produtores e comerciantes mais qualificados de acessórios e edições musicais. A Cremona Mondomusica acontece todos os anos no final do mês de setembro. Saiba mais AQUI.

Outro evento importantíssimo é o Stradivari Festival, uma oportunidade única para os fãs da música de câmara, que graças a este evento podem assistir aos concertos dos protagonistas da cena internacional no auditório do Museu do Violino. O festival dura três fins de semana e oferece apresentações de jazz, música clássica, shows infantis e muito mais. Conheça o calendário do Stradivari Festival AQUI.

 

 

 

♦ Mapa                                                                                     

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Patrícia Kalil
Patricia Kalil, graduada em administração de empresas, mora na Sicília desde 2007 e é autora do blog Descobrindo a Sicília. Ela deixou o calor e as festas de Salvador para abraçar as belezas de outro lugar tão acolhedor quanto a Bahia e mergulhou na cultura e na história milenar da Sicília. Apaixonada desde sempre por viagens e pela língua e cultura italiana, acabou unindo o útil ao agradável e decidiu espalhar aos quatro ventos que a Sicília merece ser vista.
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